Pobrezinhas, essas profissionais do sexo sempre são tão mal tratadas, vítimas de paralelismos absurdos, como o título deste texto, por exemplo. Mas não dá para observar os hábitos brasileiros e pensar outra coisa. Do micro ao macro, se olharmos bem, veremos que todos esperam, em camas de luxo ou esteiras enxovalhadas, o “cliente” abastado que virá nos tirar da nossa miséria oculta.O estado brasileiro, representado pela camada mais leviana da sociedade (os políticos), já nos dá um bom exemplo desse nosso comportamento meretriz. Nos discursos dos que gerem a nação raramente aparece a expressão — Vamos construir em conjunto —; em geral, o que se busca é atrair investimentos (clientes ricos), chamar atenção de possíveis usuários das facilidades obscenas de países emergentes, para que venham desfrutar dos nossos prazeres fáceis, com altas taxas de juros, e total preservação da saúde monetária do cliente com preservativos sociais como o trabalho do povo a baixíssimo custo, ou o imoral protecionismo estatal aos investimentos estrangeiros; enquanto isso, a nação não tem garantido nem o pão de cada dia.
Um dos grandes problemas de se viver em um prostíbulo gigantesco (pois o Brasil é um país continental) é o fato de a prática da venda da dignidade tornar-se algo comum; às vezes vira até a regra. É possível ver no dia-a-dia as pessoas se vangloriando por ter encontrado um “caso” abastado, um parceiro ou parceira que lhe pague as contas. Quando isso acontece, os amigos, os pais e até mesmo os professores comemoram; todos dizem: Oh, fulano é de sorte, conseguiu um “partidão”, saiu da miséria. Até sai da miséria material, mas cai na miséria moral.
O que me intriga é a questão: será que neste país ninguém mais pensa de forma “careta”, do tipo: vou morrer, mas morrerei com honra; ou vou a pé, mas irei para o destino que eu escolher?... Acho que, se existirem pessoas assim, essas estão escondidas, com vergonha. Afinal, a palavra de ordem atual é venda-se, não importa se cara ou barato, mas venda-se. Então, provavelmente para os que não conseguem se ver estampados em vitrines dessa imensa casa de baixo meretrício, com uma cifra ao pescoço, certamente o melhor é se esconder mesmo. Vai que, nessa zona toda que virou o país, ao transitar livremente em meio a cafetões e prostituídos, alguém lhe confunde e lhe dá uma apalpadela na bunda; e se você reagir, pode ser preso e condenado por atrapalhar negócios de interesse nacional.